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quarta-feira, 7 de março de 2012

Adotado no Butão, índice de Felicidade Interna Bruta (FIB) ajuda na busca por um novo modelo de avaliação




O exemplo integra os esforços para que o mundo adote índices menos materialistas e mais sustentáveis para avaliar o seu desenvolvimento

Adotado no Butão, índice de Felicidade Interna Bruta (FIB) ajuda na busca por um novo modelo de avaliação nao se aplica/stock xchng,divulgação

Um pequeno reino encrustado na cordilheira do Himalaia vê o dinheiro como coadjuvante. No Butão, o importante é ser feliz. Tanto que o país trocou o conceito de Produto Interno Bruto (PIB) pelo de Felicidade Interna Bruta (FIB). O exemplo integra os esforços para que o mundo adote índices menos materialistas e mais sustentáveis para avaliar o seu desenvolvimento.

A ideia do Butão não é nova — está em vigor desde os anos 70 —, mas continua atual. A Organização das Nações Unidas (ONU) lidera uma discussão para encontrar um modelo capaz de aprimorar o PIB (a soma das riquezas de um país, Estado ou cidade) e o IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano, que engloba economia, expectativa de vida e educação.

— Estamos acostumados com avaliações que não contemplam os interesses das pessoas e a sustentabilidade — diz o doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia (Polônia), Ladislau Dowbor.

Ex-professor da Universidade de Coimbra e consultor de agências da ONU, Dowbor considera o PIB uma "contabilidade clamorosamente deformada" e sente falta no IDH de temas como segurança e meio ambiente.

— São Paulo é uma cidade com mais de 7 milhões de veículos. Para o PIB é bom, vende carro, aquece a economia, mas polui e prejudica a mobilidade. Outro exemplo: em um desastre ambiental, o recurso gasto na recuperação eleva o PIB — completa Dowbor, que leciona na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

O Brasil é um bom exemplo para apontar a necessidade de novos indicadores. É o que deixa claro o questionamento de Mauricio Broinzini Pereira, coordenador-executivo da Rede Nossa São Paulo, movimento que promove análises mais abrangentes de São Paulo.

— O Brasil é a sexta economia do mundo, mas qual é a nossa qualidade de vida?

O cerne desta questão fez a França iniciar em 2008 um trabalho de revisão dos seus indicadores, baseada no relatório da Comissão Stiglitz, feito a pedido do presidente Nicolas Sarkozy. Liderado pelo americano Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, o grupo referendou a necessidade de casar economia, ambiente, bem-estar e qualidade de vida nas estatísticas que apontam o desenvolvimento nacional.

Os ensinamentos do relatório Stiglitz e outras práticas adotadas pelo mundo serão discutidos nesse ano pela ONU para acelerar a criação dos novos índices, movimento que pode ter a ajuda da Rio+20, prevista para junho. Rever as estatísticas está no caminho da economia verde.

Até o momento, pelo conceito e efeito prático na vida da população, o modelo do Butão se assemelha mais ao que a ONU procura. País de PIB reduzido, é o lar de 700 mil pessoas que vivem com baixos índices de analfabetismo, miséria e fome. O FIB adotado pelo reino asiático leva em conta nove itens. Cultura, educação, saúde, uso do tempo, padrão de vida e ambiente integram o grupo (confira abaixo), que ainda envolve um aspecto chamado "bem-estar psicológico". Explica o consultor empresarial Vicente Gomes, especializado em FIB:

— É o que os cientistas tratam por felicidade. Avalia a satisfação do cidadão sobre sua própria vida. O FIB coloca o homem no centro da avaliação.

Entenda o FIBO conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) nasceu em 1972, no Butão, elaborado pelo então rei Jigme Singye Wangchuck, com ajuda do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O FIB entende que o objetivo de uma sociedade não pode ficar restrito ao crescimento econômico, mas deve integrar finanças e qualidade de vida. Sua avaliação é feita em cima de nove dimensões.

:: Bem-estar psicológico - Avalia o grau de satisfação e de otimismo que as pessoas têm em relação a sua própria vida. Os indicadores incluem taxas de emoções positivas e negativas, analisam a autoestima, sensação de competência, estresse e atividades espirituais.

:: Saúde - Mede a eficácia das políticas de saúde. Usa critérios como autoavaliação dos serviços oferecidos, invalidez, padrões de comportamento arriscados, exercícios, sono, nutrição etc.

:: Resiliência ecológica - Mede a percepção dos cidadãos quanto à qualidade da água, do ar, do solo e da biodiversidade. Os indicadores incluem acesso a áreas verdes, sistema de coleta de lixo etc.

:: Governança - Avalia como a população enxerga o governo, a mídia, o judiciário, o sistema eleitoral e a segurança pública em termos de responsabilidade, honestidade e transparência. Também mede a cidadania e o envolvimento dos cidadãos com as decisões e processos políticos.

:: Padrão de vida - Avalia a renda individual e familiar, a segurança financeira, a qualidade das habitações etc.

:: Uso do tempo - Apura como as pessoas dividem seu tempo. Leva em conta as horas dedicadas ao lazer e socialização com amigos e família, além de tempo no trânsito, no trabalho, nas atividades educacionais etc.

:: Vitalidade comunitária - Foca nos relacionamentos das pessoas dentro das suas comunidades. Examina o nível de confiança, a sensação de pertencimento, a vitalidade dos relacionamentos afetivos, a segurança em casa e na comunidade, além das práticas de doação e voluntariado.

:: Educação - Leva em conta fatores como participação na educação formal e informal, envolvimento na educação dos filhos, valores em educação, ambiente etc.

:: Cultura - Avalia as tradições locais, festivais, participação em eventos culturais, oportunidades das pessoas para desenvolver capacidades artísticas, além da discriminação por religião, raça ou gênero.
Fonte: Zero Hora
Divulgação: Giuliano Cunha

sexta-feira, 2 de março de 2012

Casal gay é o 1º a obter separação legal e partilha




Por Paulo Saldaña, no Estadão

Advogado de lésbicas que encerraram 13 anos de relação invoca decisão do STF e, na mesma ação, consegue reconhecimento e dissolução de união


Depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecer a união estável homoafetiva, gays agora usam esse direito para conseguirem se separar legalmente. Em Franca, interior de São Paulo, um casal de lésbicas garantiu a separação dos bens na Justiça depois de uma relação que durou 13 anos. Segundo o movimento gay, o caso é o primeiro no País.
Separação. Terê e Márcia: aval da Vara da Família e do MP - Acervo Pessoal
Acervo Pessoal
Separação. Terê e Márcia: aval da Vara da Família e do MP
A aposentada Teresinha Geraldo Lisboa, a Terê, de 51 anos, e a gráfica Márcia Pompeu Sousa, de 47, viviam juntas desde 1998. "Chegamos a um consenso, era melhor nos separarmos. Mas queríamos deixar tudo certinho na Justiça", conta Terê.
O casal procurou o advogado Mansur Jorge Said Filho. Como elas nunca haviam oficializado o casamento, o advogado compôs uma ação de reconhecimento da união e sua dissolução, com partilha de bens. "Eu invoquei decisão do STF no sentido de considerar aplicação constitucional do Código Civil", diz Mansur.
A Vara de Família de Franca homologou, na semana passada, o acordo proposto sem contestações. "Na prática, já nos satisfez. O Ministério Público também foi a favor com o reconhecimento e a partilha", disse Mansur.
Em jogo, frutos do casamento, havia um carro e duas casas em Franca - embora a divisão fora acordada amigavelmente antes da ação. O carro ficou com Márcia, uma das casas com Terê e a outra, ainda em reforma, será vendida e o dinheiro, dividido.
‘Exemplo’. O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Fernando Quaresma Azevedo, afirma que não há notícias de outros casos após a decisão do STF. "A sociedade foi se modificando e se ajustando. Antes nem casais héteros se separavam. E com o posicionamento do Supremo, agora veio esse direito."
Terê afirma que a ação pode servir de exemplo para casais irem atrás de seus direitos. "Tomara que sirva para que outros gays saiam do armário." Moradora de Franca há oito anos, ela faz trabalhos sociais pela ONG Tudo Pelo Social. Em 2008, concorreu a uma cadeira na Câmara Municipal e perdeu. A culpa, para ela, foi do preconceito. "Na campanha, dizia: ‘Não estou sozinha, mas com minha esposa Márcia’. Isso deu uma grande repercussão e me falavam que não votaram em mim porque eu era gay."
As duas se conheceram no início da década de 1990, quando trabalhavam no Belenzinho, zona leste da capital. Em 12 de junho de 1998, Dia dos Namorados, começou o flerte. No dia seguinte, o primeiro beijo. "Depois nunca nos separamos, uma lutando pela outra." Mas os problemas cresceram e sufocaram o amor. Só restou a separação. "Não penso em ter ninguém, amo ela, mas o melhor foi isso."
PARA LEMBRARO reconhecimento da união estável entre homossexuais foi reconhecida, em decisão unânime, no dia 5 de maio de 2011 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Assim, os casais homossexuais têm os mesmos direitos e deveres que a legislação brasileira estabelece para os heterossexuais. Passam a ter reconhecido o direito de receber pensão alimentícia, ter acesso à herança de companheiro morto e podem ser incluídos como dependentes nos planos de saúde. Poderão adotar filhos e registrá-los.
Divulgação: Rev. Giuliano




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Franklin Graham: Obama faz mais pelos muçulmanos






Billy e Franklin Graham

Fé do presidente Barack Obama continua a levantar debate após críticas de candidato presidencial do Partido Republicano Rick Santorum que a agenda do presidente promove a "teologia falsa" não se baseia na Bíblia.

Terça-feira em MSNBC "Morning Joe", Rev. Franklin Graham foi questionado se ele acredita que Obama é cristão.

Graham, que é filho do evangelista Billy Graham, disse que leva o presidente em sua palavra, mas que as pessoas também precisam entender o que significa ser cristão.

"Eu não tenho idéia do que ele realmente acredita", disse Graham. "Para mim, a definição de um Cristão é saber que temos dado a nossa vida a Cristo e segui-Lo na fé, e nós confiamos nele como nosso Senhor e Salvador."

Graham foi, então, perguntou sobre a ligação do presidente com o Islã.Ele sugeriu que Obama poderia ser considerada um muçulmano.

"Sob a lei islâmica, o Islã vê-lo como filho do Islã, porque seu pai era um muçulmano, seu avô era um muçulmano, seu bisavô era um muçulmano", respondeu Graham. "Assim, sob a lei islâmica, o mundo muçulmano vê Barack Obama como um muçulmano, como um filho do Islã. Essa é apenas a forma como ele funciona."

"Mas é claro que ele diz que não crescemos assim", Graham continuou."[Ele diz] que não acreditava nisso. Ele acredita em Jesus Cristo, então eu aceitar isso."

Graham chamou o presidente "um homem incrível", mas também expressaram preocupação de que Obama não é tão sincero como ele poderia ser, sobre a perseguição de cristãos no mundo inteiro.

"[Ele] parece estar mais preocupado com" os muçulmanos que os "cristãos que estão sendo assassinados nos países muçulmanos", disse Graham. "... Ele poderia estar falando a esses países agora, exigindo que eles protegem os cristãos".

Graham chegou a dizer que ele acredita que os candidatos presidenciais Rick Santorum e Newt Gingrich são cristãos. Quando perguntado sobre o ex-governador Mitt Romney, ele disse: "A maioria dos cristãos não iria reconhecer o mormonismo como parte da fé cristã."

Enquanto isso, voz da Casa Branca Jay Carney disse que o presidente continua a concentrar-se na economia, e não naquilo que as pessoas estão dizendo sobre sua fé.

O presidente Obama disse que continuamente ele é um cristão. Em um discurso no almoço deste mês Oração Nacional , Obama disse que a oração é importante na sua vida e que ele lê devoções e escrituras diariamente.

 Traduzido e adaptado de CBN

Divulgação: Reverendo Giuliano Cunha